Nossa história

Vivemos numa época de saturação, em que o volume de objetos em circulação tornou a distinção entre bom design e simulacro cada vez menos evidente. Desconstruir uma forma até ela perder qualquer relação com sua origem virou o disfarce mais recorrente para a falta de repertório. Construção leviana e permanência raramente se parecem, ainda que a primeira insista em imitar a segunda. É essa distinção que orienta cada escolha do catálogo.

A ANERA nasceu do olhar de quem passou pela formação em arquitetura e que, por muitos anos, observou a área apenas como arte. O olhar para proporção e materialidade é anterior a essa formação, que apenas deu nome técnico a uma sensibilidade já existente. Foi após a saída da fundadora do mercado corporativo, em São Paulo, que essa aptidão encontrou uma aplicação profissional. O nome é uma referência à filha, Ana.

A abundância não tornou a escolha mais fácil; tornou o critério mais raro. Quando quase tudo reivindica singularidade, a aparência acaba homogeneizada, tornando o repertório ainda mais determinante. O catálogo é resultado dessa depuração: pressupõe eliminar o circunstancial. Afinal, o lastro de um catálogo se revela tanto no que incorpora quanto no que deliberadamente deixa de fora.